O show do Iron Maiden com abertura do Helloween, realizado no Metropolitan, no Rio de Janeiro, em 2 de dezembro de 1998, ficou marcado como um dos episódios mais controversos da trajetória da banda no Brasil.
Na ocasião, o Iron Maiden promovia o álbum Virtual XI e contava com Blaze Bayley nos vocais. Embora a turnê estivesse consolidada, muitos fãs brasileiros ainda demonstravam resistência à ausência de Bruce Dickinson, que havia deixado o grupo em 1993.

Antes da atração principal, o Helloween entregou uma apresentação memorável. Divulgando o álbum Better Than Raw, os alemães conquistaram o público com uma performance energética e um repertório que mesclava clássicos e faixas recentes. A banda liderada por Andi Deris mostrou grande entrosamento no palco, com vocais seguros e uma execução impecável dos guitarristas Roland Grapow e Michael Weikath.
O setlist do Helloween naquela noite foi composto por:
- “Deliberately Limited Preliminary Prelude Period in Z”
- “Push”
- “Starlight”
- “Murderer”
- “Power”
- “Steel Tormentor”
- “Eagle Fly Free”
- “Dr. Stein”
- “How Many Tears”
A recepção do público foi extremamente positiva, e muitos fãs que estiveram presentes recordam a apresentação como um dos pontos altos da noite. Não são poucos os relatos de pessoas que afirmam que o Helloween “roubou a cena” antes mesmo de o Iron Maiden subir ao palco.

O clima mudou durante o show do Iron Maiden. Parte do público direcionou vaias e protestos a Blaze Bayley, e relatos da época indicam que objetos chegaram a ser arremessados ao palco. A tensão crescente entre banda e plateia culminou em uma decisão histórica: o cancelamento do bis.
O episódio entrou para a história por ter sido uma das raras ocasiões em que o Iron Maiden encerrou uma apresentação sem o tradicional encore. Com isso, os fãs deixaram de ouvir músicas que normalmente fechavam os shows da turnê, como “The Number of the Beast”, “The Trooper” e “Sanctuary”.
Apesar da polêmica, o repertório principal do Iron Maiden contou com momentos marcantes, incluindo:
- “Futureal”
- “Man on the Edge”
- “The Clansman”
- “Sign of the Cross”
- “2 Minutes to Midnight”
- “Hallowed Be Thy Name”
- “Fear of the Dark”
- “Iron Maiden”
Com o passar dos anos, o show passou a ser visto como um retrato fiel da era Blaze Bayley: uma fase frequentemente subestimada do ponto de vista musical, mas marcada pela difícil aceitação de parte dos fãs. Menos de dois anos depois, Bruce Dickinson e Adrian Smith retornariam à banda, dando início a uma nova fase de sucesso.
Entre as lembranças mais citadas por quem esteve no Metropolitan naquela noite está a execução de “The Clansman”, considerada por muitos um dos grandes momentos do espetáculo e um prenúncio do status lendário que a música alcançaria nos anos seguintes.




